
O livro Gadget – Você não é um aplicativo, escrito por Jaron Lanier, um dos pioneiros da web e da realidade virtual traz uma série de questões relevantes para quem usa e principalemnte para quem trabalha com web.
Lanier parte do pressuposto de que a glorificação de mantras – como colaboração online, informação livre e sabedoria das multidões – tem ofuscado a criatividade individual e o livre-arbitrio. Hoje a opinião de um sommelier vale menos do que um serviço de internet sobre vinhos que tenha um potente algoritmo capaz de reunir a opinião de vários anônimos na internet. Em nome de uma suposta “inteligência coletiva”, existe um mito de que quantidade é qualidade.
Acredita-se demais na sabedoria das multidões e pouco na do indivíduo.
Uma tecnologia que agrega conteúdo tem, por exemplo, mais destaque do que o indivíduo que produz conteúdo original. Ou seja, o algoritmo, a tecnologia são mais relevantes do que o “ser humano individual”. Segundo Lanier, isso precisa mudar. O indivíduo necessita recuperar o reconhecimento, como o era desde os primórdios da web.
A partir dessa premissa, o autor foca as críticas no hype das plataformas de redes sociais. Com a autoridade de ser um dos visionários pioneiros da web, Lanier afirma que as atuais redes sociais são impessoais, incentivam as pessoas a criar presenças online padronizadas. Bem diferente do início da web, quando você tinha liberdade criativa para fazer o que quisesse em uma página pessoal. Cada página era de um jeito, o que refletia a natureza própria de cada pessoa.
O Facebook, ao contrário, padroniza tudo. Todos os perfis têm o mesmo layout e a mesma arquitetura. Quando entramos na rede social, somos obrigados a preencher um cadastro impessoal, que parece feito para um público padrão. Temos que limitar toda a nossa personalidade a algumas linhas de texto.
Em outras palavras, nos diminuímos como ser humano para entrar nos parâmetros pré-definidos da rede social. Por isso, é uma ilusão achar que as plataformas de redes sociais são um retrato completo e fiel do que somos.
Neste sentido, Lanier afirma que as plataformas de redes sociais não aumentaram numericamente as nossas amizades. Na realidade, reduziram a noção do que seja amizade. Um exemplo é o fato de existirem pessoas orgulhosas de ter acumulado milhares de amigos em redes sociais. Isso, segundo o pesquisador, não passa de uma pura ilusão e reducionismo do conceito de amizade. Reflexo de como as pessoas se diminuem para poder utilizar um serviço de internet, enquanto que, contrariamente, os serviços de internet que deveriam se adaptar a gente.
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Leia o artigo completo no blog do Tiago Dória
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